Esta é a vida das girafas
Se há um filme a não perder, é este. Uma missão impossível portuguesa, só graças à vontade de uma trupe de artistas e técnicos que acharam que esta ideia deveria ir a filme. É baseado na peça de teatro homónima, encenada e produzida por Tiago Rodrigues. Esta "Tristeza e Alegria na Vida das Girafas", de Tiago Guedes, diverte-nos e emociona-nos graças às interpretações de artistas como Maria Abreu, Tónan Quito, Miguel Borges, Miguel Guilherme, Romeu Runa, Gonçalo Waddington. E depois há ainda a música do Manel Cruz, e do seu "Foge Foge Bandido". Podem apresentar a história como "a aventura de uma menina de 10 anos que atravessa a cidade de Lisboa em busca da única pessoa que pode ajudá-la: o primeiro ministro", mas é sobretudo uma viagem iniciática, muito marcada pela crise dos últimos anos - a menina precisa de dinheiro para pagar a conta da TV Cabo e ver o Discovery Channel e que tem ainda a agravante de ser órfã de mãe, com um pai que é um actor desempregado. A acompanhá-la está o seu urso de peluche, personagem que verborreia as frase mais impróprias para uma criança. Só que esta é uma criança diferente, que usa palavras caras do dicionário. Um urso que se chama Judy Garland, mas que quer ser conhecido como Spartacus Tchekhov. E consegue. Poderia dizer-vos muito sobre os sentimentos que o filme provoca, no entanto prefiro que venham a ser possuidores dos mesmos assim que o virem... É um favor que fazem a vocês próprios. Eu, por mim, só tenho de agradecer aos dois Tiagos, aos actores e ao Manel por terem tornado esta tristeza e alegria uma realidade.


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